Educação em Foco
 
 
Freire, atual após 10 anos.
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Idéias de Paulo Freire continuam atuais após 10 anos de sua morte.


"Criar o que não existe ainda deve ser a pretensão de todo sujeito que está vivo".

Foi pensando assim que um professor pernambucano deu um novo rumo para a educação brasileira. No início da década de 60, criou um novo método de alfabetização que levou seu nome: o Método Paulo Freire. Ganhando visibilidade nacional e internacional, ao longo de seus 76 anos de vida, o educador difundiu princípios como diálogo, consciência crítica da realidade e significação do aprendizado.

No dia 2 de maio, fez dez anos que o autor de "Pedagogia do Oprimido" faleceu. Nesta data, especialistas do setor educacional ressaltam a importância de seu pensamento para o Brasil e para o mundo, avaliando as transformações provocadas por suas idéias nas escolas, defendendo a atualidade e a pertinência de seus princípios nos dias de hoje.

Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), Célia Linhares explica a importância de Paulo Freire para educação brasileira. "Sua importância crescente pode ser avaliada como proporcional à influência, pluralidade e abertura de seu pensamento. É como se fosse uma ação que continuamente se desdobra com surpresas, e estas reafirmam as posições éticas com que Freire valorizou a experiência: como acontecimentos encharcados de possibilidades", explica a educadora. Para Célia Linhares, uma das contribuições da "Pedagogia Freireana" foi a instigação para democratizar processos escolares, sugerindo uma reinvenção da escola pública.


Eficácia é reconhecida

Para Vilma Guimarães, gerente de Educação da Fundação Roberto Marinho, Paulo Freire, ao lado de Anísio Teixeira e Darcy Robeiro, figura entre os grandes pensadores da educação brasileira do século passado. A professora enxerga nas práticas educacionais de nossos dias, a presença das idéias do educador pernambucano.

A proposta inovadora de considerar o saber dos alunos no processo de alfabetização de jovens e adultos, o respeito ao universo cultural dos estudantes, a reformulação do currículo escolar e prioridade para o diálogo são destacadas pela educadora como contribuições fundamentais que Paulo Freire deu à educação brasileira.

"Paulo Freire dizia que era preciso priorizar o diálogo como princípio da formação educativa, repensar o currículo escolar e buscar conteúdos significativos para dar sentido àquilo que as pessoas estudam. Para ele, era preciso respeitar a diversidade e trabalhar dentro da realidade cultural dos alunos. Era preciso desenvolver tais competências para que as pessoas tivessem autonomia", esclarece Vilma Guimarães.

Uma das principais contribuições do educador, destaca a diretora de Educação da Fundação Roberto Marinho, foi com relação à educação de jovens e adultos (EJA). "As experiências de Paulo Freire no Brasil e no exterior confirmam que seus princípios metodológicos estão certos. Ele é um educador que fez uma grande revolução sobre como alfabetizar. Se fosse vivo, estaria recriando e avançando em seus princípios e em sua prática metodológica. Em todas as suas obras, permaneceu coerente com sua essencialidade, mas foi agregando outras metodologias e princípios de desenvolvimento do conhecimento humano".

Vilma revela, ainda, que o pensamento de Paulo Freire é um dos balizadores de seu trabalho na Fundação Roberto Marinho, que recebem colaborações de profissionais do Instituto Paulo Freire e da filha do educador, Madalena Freire.

"Particularmente, posso destacar o projeto Tecendo o Saber (estudos de 1ª a 4ª séries) que foi o telecurso que começou com a participação de Paulo Freire. Ele ia fazer a coordenação dos conteúdos quando nos deixou. Depois, retomamos o projeto com Moacir Gadotti, do Instituto Paulo Freire, que coordenou junto com a gente toda a parte do desenvolvimento de conteúdo. Madalena Freire também traz contribuições a nossas produções", finaliza Vilma Guimarães.

Folha Dirigida.